AGRONEGÓCIO

Expectativa de crescimento do setor de seguro rural é de 23% neste ano

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A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estima crescimento de 23,1% do setor de seguro rural em 2024, à medida que produtores buscam mais proteção contra os efeitos climáticos. No ano passado, o aumento foi de 4,5% no acumulado do ano até setembro, atingindo arrecadação de R$ 11,1 bilhões, de acordo com a CNseg.

“O seguro agrícola tem desempenhado o seu papel de amparo a este setor, que tanto tem sofrido com os eventos climáticos”, afirma o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Joaquim Neto.

Em termos de retorno aos produtores na forma de indenizações, no acumulado do ano até setembro, foram pagos R$ 3,5 bilhões, queda de 63,9% ante o mesmo período de 2022, devido à influência de eventos climáticos severos ocorridos no ano retrasado, principalmente no Sul do Brasil.

A engenheira agrônoma, especialista em seguros de agronegócios, Alexandra Rocha Cândido, explica que neste ano a intensidade do fenômeno climático El Niño, que traz chuvas volumosas para o Sul e seca para o Brasil Central, vem castigando lavouras, reduzindo estimativas de safra, o que acarretará em impactos na oferta, renda do produtor e preços ao consumidor.

“Sem seguro, as incertezas só aumentam, avolumando-se para o próximo ciclo. Já com seguro rural, o produtor tem uma série de soluções, como multirrisco, riscos nomeados, paramétrico, e seguro agroclimático, entre outras modalidades. Elas fornecem desde uma rede de segurança abrangente para manter a produção em face de desafios diversos, até parâmetros predefinidos para acionar a indenização, simplificando o processo de avaliação de sinistros”, detalha Alexandra.

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Diretora Comercial de Agronegócios da Seguros do Brasil Corretora Agro (que na região de Araçatuba tem parceria exclusiva com a AgroPolo), a profissional destaca ainda que há cobertura contra seca, geada, incêndio, granizo, ventos fortes, inundação, variação de temperatura, raios, chuva excessiva, tromba d’água, granizo, incêndio, variação de temperatura, variação de precipitação, disponibilidade hídrica do solo, variação da radiação solar etc. E isso vale para soja, milho, sorgo, trigo, café, cana-de-açúcar, tomate e outras culturas, incluindo florestas, pecuária e aquicultura.

Alexandra lembra que está liberada a contratação de seguro para soja. No caso da AgroPolo, com condições diferenciadas, produtividade garantida, taxas, flexibilidade no pagamento e subvenção federal. E, em São Paulo, também existe uma subvenção estadual.

Registro nacional

Seca, granizo e geada foram responsáveis por 87% de sinistros no seguro agrícola em pouco mais de 11 anos, segundo levantamento divulgado pela confederação. Esses eventos totalizaram mais de 122.698 ocorrências de um total de 141.354 cadastradas no Registro Nacional de Sinistros (RNS) Rural.

A ferramenta, desenvolvida pela CNseg, analisa série histórica de dados de abril de 2012 a novembro de 2023, considerando os registros de oito seguradoras. Ao longo do período analisado, o sistema identificou 11 diferentes eventos que impactaram diretamente os pagamentos de indenizações na modalidade. Com 72.293 casos, a seca foi a principal causa de sinistros, seguida pelo granizo, com 30.509 ocorrências, e geada, com 19.896.

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O Sul registrou a maior incidência de sinistros, contabilizando 27.923 casos, destacando-se, principalmente, pela ocorrência de seca (19.671), geada (3.597) e granizo (2.216). No Centro-Oeste, 94% dos 5.051 registros estão relacionados à seca (3.748), chuva excessiva (643) e geada (379).

Seguro Rural

O seguro rural é um contrato em que o segurado (agricultor) paga um prêmio à seguradora para transferir os riscos associados à produção agrícola. Em troca, a seguradora assume a responsabilidade de indenizar o segurado caso ocorra algum evento coberto pelo seguro, que cause prejuízos à lavoura ou à atividade rural.

“Trata-se de uma ferramenta para mitigar o impacto financeiro causado por eventos climáticos adversos, oferecendo cobertura contra perdas. Essa proteção é essencial para que os agricultores enfrentem imprevistos sem comprometer sua estabilidade financeira, sendo ainda mais vital diante das crescentes ameaças das mudanças climáticas, que colocam em risco as colheitas e a subsistência dos agricultores”, ressalta Alexandra.

A Política de Seguro Rural no Brasil visa proteger os produtores rurais contra perdas causadas por eventos climáticos e outras adversidades. O governo brasileiro, por meio do Programa de Subvenção ao Prêmio Seguro Rural (PSR), oferece incentivos financeiros para reduzir o custo seguro, tornando-o mais acessível aos agricultores. O objetivo é promover a estabilidade econômica no setor agrícola, estimular investimentos e garantir a segurança financeira dos produtores em face de imprevistos.

Fonte: Melhor Notícia Comunicação

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

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No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

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A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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