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Indústria da borracha precisa acelerar execução de soluções para ganhar competitividade global, aponta estudo da Fiesp

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A indústria brasileira de artefatos de borracha já mapeou com clareza seus principais gargalos e oportunidades, mas ainda precisa avançar na transformação de diagnósticos em ações concretas para ampliar sua competitividade. A avaliação foi apresentada por Albino Fernando Calantuono, especialista em Competitividade e Tecnologia da Fiesp, durante a Expobor 2026 e a Pneushow 2026, eventos de referência do setor na América Latina.

Importações pressionam mercado e ampliam desafios da indústria nacional

De acordo com o levantamento apresentado, o setor enfrenta forte concorrência de produtos importados, que já representam cerca de 43% de penetração no mercado brasileiro.

Além disso, a cadeia produtiva convive com entraves estruturais, como o elevado custo de produção no país — o chamado “Custo Brasil” —, a ausência de uma política industrial de longo prazo e a concorrência crescente de materiais substitutos, especialmente os plásticos.

O estudo também aponta que 18,4% dos produtos de borracha são destinados ao setor automotivo, enquanto a maior parte das empresas do segmento é composta por pequenos e médios negócios.

China lidera exportações e amplia disputa global

No cenário internacional, a China se destaca como principal player global, liderando praticamente todas as categorias de produtos de borracha comercializados pelo Brasil e respondendo por 18,4% das exportações mundiais do setor.

O Brasil, por outro lado, ocupa a 30ª posição no ranking global de exportadores, com participação de apenas 0,7%.

Segundo Calantuono, apesar do cenário desafiador, há espaço para expansão da indústria brasileira.

“A China está praticamente no quintal do Brasil quando observamos o mercado latino-americano. Ela lidera em escala, competitividade e capacidade produtiva. Mas isso não significa que o Brasil não tenha espaço”, destacou.

Oportunidade está em inovação, sustentabilidade e economia circular

O especialista defende que o reposicionamento da cadeia da borracha brasileira deve passar por inovação tecnológica e estratégias sustentáveis.

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Entre os caminhos apontados estão soluções de menor pegada de carbono, maior valor agregado e práticas de economia circular, como reaproveitamento de resíduos e desenvolvimento de materiais inovadores.

“O Brasil possui uma oportunidade única de reposicionar sua cadeia com soluções sustentáveis e customizadas, que podem se tornar diferenciais competitivos importantes”, afirmou.

Calantuono também defendeu a criação de instrumentos regulatórios e políticas públicas para fortalecer o setor.

“A indústria da borracha precisa de uma política tecnológica e industrial consistente para competir em igualdade de condições com o mercado internacional”, completou.

Senai amplia investimentos em capacitação e inovação no setor

Durante o evento, instituições do Sistema S apresentaram iniciativas voltadas à qualificação profissional e ao desenvolvimento tecnológico da indústria da borracha.

O Senai-SP anunciou a implantação de um laboratório de elastômeros no Distrito Tecnológico de São Bernardo do Campo (SP), com início de operação previsto para 2027. O projeto contará com 14 equipamentos de alta tecnologia e investimento estimado em R$ 10 milhões.

Segundo Fernanda Moreira, coordenadora técnica de Novos Negócios do Senai-SP, a estrutura atenderá diferentes segmentos industriais.

“A meta é atender aplicações de alta performance em pneus, indústria automotiva, construção civil, aeroespacial, médico-hospitalar e calçadista, com desenvolvimento de projetos de P,D&I”, afirmou.

Além disso, o Senai-SP está destinando cerca de R$ 3 milhões para capacitação profissional, com 14 cursos voltados ao setor, em formatos presenciais, in company e, futuramente, EAD.

Senai-RS busca ampliar participação da borracha em projetos de inovação

O Senai-RS também destacou iniciativas para expandir a presença da indústria da borracha em seus projetos de pesquisa e desenvolvimento.

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Segundo Jordão Gheller Jr., gerente de Operações do Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros, atualmente apenas 15% dos 29 projetos em andamento envolvem elastômeros.

O painel foi complementado por ações de formação profissional conduzidas por Sandro Lima Bernieri, voltadas à qualificação na área de polímeros.

Novas tecnologias reforçam sustentabilidade e eficiência produtiva

A Arena do Conhecimento da Expobor e da Pneushow 2026 também apresentou inovações tecnológicas voltadas à indústria da borracha.

Entre os destaques, Jason Silva, da Retilox, apresentou sistemas de cura com peróxidos atóxicos, com menor uso de insumos, maior produtividade e reciclabilidade total dos resíduos pós-cura. A tecnologia também reduz emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC), contribuindo para a saúde ocupacional e a economia circular.

Já Guilhermo Spangenberg, da Cabot Corporation, apresentou o CGX 1000, um novo tipo de negro de carbono com até 30% de carbono recuperado, desenvolvido para apoiar empresas na redução das emissões dos escopos 1, 2 e 3 do Protocolo GHG.

Indústria precisa reforçar foco no cliente e adaptação ao mercado

Encerrando o ciclo de palestras, o consultor Sérgio Luís Patzlaff, da STG Consultoria Empresarial, destacou a importância da leitura de mercado e da conexão com o cliente como fatores decisivos para a competitividade.

Segundo ele, muitas empresas acabam direcionando esforços para questões internas, em detrimento das demandas externas.

“A empresa não está perdendo cliente, está desistindo de vê-los. A reconexão começa dentro da organização”, afirmou.

O especialista reforçou ainda que a atenção aos clientes em risco deve ser prioridade estratégica, já que a perda de relacionamento pode ser irreversível.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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SIAVS 2026 lança Experience Biosseguridade para reforçar prevenção sanitária na produção animal

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O Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), promovido pela ABPA entre os dias 4 e 6 de agosto, contará com uma novidade voltada à conscientização sanitária: o Experience Biosseguridade, espaço interativo criado para aproximar o público dos desafios e soluções relacionados à prevenção de doenças na produção animal.

A proposta é transformar conceitos técnicos em experiências práticas, permitindo que visitantes compreendam, de forma imersiva, como as rotinas de biosseguridade são aplicadas no dia a dia das granjas e qual seu impacto direto na sanidade dos plantéis e na segurança dos alimentos.

Espaço interativo simula rotina de granjas e reforça boas práticas sanitárias

Durante os três dias de evento, o ambiente contará com estações interativas, demonstrações práticas e recursos audiovisuais. Entre os temas abordados estão:

  • Controle de acesso às granjas
  • Higienização de instalações e equipamentos
  • Troca de vestimentas e protocolos de entrada
  • Manejo de riscos sanitários
  • Controle do trânsito de pessoas e veículos

O objetivo é demonstrar como cada etapa operacional contribui para reduzir riscos sanitários e evitar a introdução de agentes infecciosos nos sistemas produtivos.

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ABPA destaca biosseguridade como cultura essencial da produção animal

Segundo a gerente de Marketing e Promoção Comercial da ABPA, Isis Sardella, a iniciativa busca aproximar o público da realidade do campo e reforçar que a prevenção está presente em todas as etapas da cadeia produtiva.

“A proposta é mostrar que a prevenção está presente em cada etapa da produção animal. Queremos que os visitantes vivenciem situações do cotidiano das granjas e entendam como pequenas atitudes fazem grande diferença na sanidade animal, na segurança dos alimentos e na sustentabilidade da atividade”, afirmou.

O espaço também apresentará cenários que simulam como enfermidades podem ser introduzidas em uma propriedade e quais medidas são necessárias para mitigar riscos sanitários.

Prevenção sanitária como pilar da competitividade do setor

De acordo com a ABPA, a biosseguridade vai além de protocolos isolados e deve ser entendida como uma cultura permanente dentro da produção animal.

“A biosseguridade não é um conjunto de regras isoladas, mas uma cultura de prevenção construída diariamente. Prevenir continua sendo a ferramenta mais eficiente para proteger os animais, os produtores e toda a cadeia produtiva”, destacou Isis Sardella.

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A entidade reforça que a adoção de boas práticas sanitárias é determinante para a competitividade do Brasil no mercado internacional de proteínas animais.

SIAVS reforça papel de difusão de conhecimento e inovação no agro

A expectativa da organização é que o Experience Biosseguridade se consolide como um dos principais espaços de aprendizado do SIAVS, reunindo produtores, agroindústrias, técnicos, pesquisadores, estudantes e lideranças internacionais.

A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre biosseguridade como fator estratégico para a sustentabilidade da produção animal, além de reforçar a confiança dos mercados na proteína brasileira.

“O SIAVS reúne diferentes elos da cadeia produtiva e amplia o alcance dessa mensagem. Queremos que o Experience seja um espaço de aprendizado, conscientização e inspiração para todos os participantes”, concluiu a representante da ABPA.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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