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Preços do café avançam nas bolsas internacionais com menor oferta e tarifas nos EUA

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Os contratos futuros do café abriram a manhã desta quinta-feira (21) em alta nas bolsas internacionais. O movimento reflete a combinação de oferta restrita, tarifas impostas pelos Estados Unidos e um cenário climático desfavorável no Brasil, que segue pressionando as cotações.

Tarifas americanas e estoques baixos ampliam a volatilidade

Compradores americanos têm cancelado novos contratos de importação do café brasileiro em razão da tarifa de 50% aplicada pelo governo dos Estados Unidos. A medida, somada ao baixo nível dos estoques mundiais, intensificou a volatilidade do mercado e aumentou a preocupação com a disponibilidade do grão.

Além disso, a safra 2025/26 do Brasil tem apresentado rendimento inferior ao esperado, o que reforça o tom de cautela. Segundo a Bloomberg, contratos futuros de arábica em Nova York atingiram o maior valor em dois meses, impulsionados pelo frio e pela retenção de grãos por parte dos produtores brasileiros.

Cotações do arábica e robusta nesta quinta-feira

Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o café arábica registrava ganhos significativos:

  • Setembro/25: alta de 185 pontos, a 362,10 cents/lbp;
  • Dezembro/25: avanço de 330 pontos, a 356,75 cents/lbp;
  • Março/26: valorização de 320 pontos, a 346,90 cents/lbp.
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Já o robusta apresentou variações mistas:

  • Setembro/25: queda de US$ 1, a US$ 4.645/tonelada;
  • Novembro/25: alta de US$ 15, a US$ 4.416/tonelada;
  • Janeiro/26: avanço de US$ 23, a US$ 4.281/tonelada.
Café retoma patamares de junho e sobe quase 20% em agosto

Após quedas registradas em julho, os preços do café voltaram a subir com força em agosto, aproximando-se dos níveis de meados de junho. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) apontam que a recuperação está diretamente ligada à safra 2025/26, que apresenta menor produção e baixo rendimento no beneficiamento.

De acordo com o Indicador CEPEA/ESALQ, o arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, iniciou a semana a R$ 1.972,55 por saca de 60 kg. Até o dia 18, a valorização acumulada no mês chegou a 8,9% (R$ 160,68 por saca).

Robusta lidera valorização com demanda interna e externa aquecida

O robusta apresentou alta ainda mais expressiva no período. Segundo o Cepea, o tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, registrou valorização de 19,7% em agosto. O ganho acumulado foi de R$ 202,95 por saca, elevando a cotação para R$ 1.231,40 no dia 18.

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A demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto externo, tem sustentado a alta mesmo diante da redução da oferta.

Expectativas para a reta final da colheita

Com o Brasil se aproximando do fim da colheita, a atenção do mercado se volta para a qualidade dos lotes e o volume comercializável. Produtores relatam dificuldades relacionadas à irregularidade climática e à maturação desigual, fatores que elevam custos e desafios logísticos no pós-colheita.

Especialistas do Cepea destacam que a redução no beneficiamento pode diminuir a oferta de cafés de maior qualidade, intensificando a valorização das categorias superiores. Além disso, os estoques de passagem mais enxutos favorecem operações especulativas e ampliam a volatilidade do setor.

Perspectivas para os próximos meses

Apesar da recuperação em agosto ter trazido alívio ao produtor, analistas avaliam que a instabilidade deve continuar como característica central do mercado. A expectativa é de que as oscilações de preços sigam intensas até o início de 2026, exigindo cautela por parte de toda a cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita do café 2026/27 avança lentamente no Brasil e comercialização segue travada

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A colheita da safra brasileira de café 2026/27 segue em ritmo lento, especialmente no segmento de café conilon (robusta). Além do avanço moderado nos trabalhos de campo, a comercialização da nova safra também permanece travada, refletindo a cautela dos produtores diante da volatilidade do mercado e das diferenças de preços entre o café disponível e os contratos futuros.

Levantamento semanal da Safras & Mercado aponta que, até 13 de maio, apenas 6% da safra 2026/27 havia sido colhida no Brasil. O percentual fica ligeiramente abaixo dos 7% registrados no mesmo período do ano passado e distante da média dos últimos cinco anos, de 9%.

Colheita do café conilon registra atraso

O maior atraso é observado no café canéfora, grupo que engloba o conilon e o robusta. Segundo o levantamento, apenas 8% da produção havia sido colhida até meados de maio, contra 11% no mesmo período do ciclo anterior e média histórica de 15%.

O desempenho abaixo do esperado indica um início mais lento da safra, o que mantém o mercado atento à evolução dos trabalhos nas principais regiões produtoras.

No café arábica, a colheita alcançou 4% da produção, em linha com o registrado no ano passado. Ainda assim, o percentual segue abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 6% para esta época do calendário agrícola.

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Comercialização da safra 2026/27 segue lenta

Além da colheita mais lenta, o ritmo de comercialização da safra 2026/27 também permanece abaixo da média histórica.

De acordo com levantamento mensal da Safras & Mercado, até 13 de maio, apenas 16% do potencial produtivo da safra de conilon/robusta havia sido negociado antecipadamente. O avanço mensal foi de apenas dois pontos percentuais.

Apesar de o percentual estar próximo ao observado no mesmo período do ano passado, ele segue bem abaixo da média dos últimos cinco anos, próxima de 25%.

Segundo o consultor Gil Barabach, os produtores continuam priorizando as vendas do café disponível, reduzindo o interesse por negociações antecipadas da nova safra.

“As vendas da safra 2026/27 de café no Brasil continuam em ritmo lento, com os produtores priorizando a negociação do café disponível”, destacou o consultor.

Vendas de arábica e conilon ficam abaixo da média histórica

No caso do conilon, as vendas antecipadas atingem apenas 10% da produção esperada. Embora o número supere os 8% registrados no mesmo período do ano passado, ele permanece distante da média histórica de 18%.

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Já no café arábica, a estimativa preliminar indica comercialização de cerca de 20% da safra potencial, abaixo dos 22% observados em igual período de 2025 e bem inferior à média de 29% registrada nos últimos cinco anos.

Segundo Barabach, a diferença entre os preços praticados no mercado físico e as indicações para fixação da safra nova tem limitado os negócios antecipados do arábica.

Safra 2025/26 também apresenta vendas mais lentas

O ritmo mais cauteloso também aparece na comercialização da safra 2025/26, colhida no ano passado.

Até 13 de maio, cerca de 86% da produção havia sido comercializada pelos produtores brasileiros. No mesmo período do ano anterior, as vendas já alcançavam 96%, enquanto a média dos últimos cinco anos era de aproximadamente 94%.

De acordo com Gil Barabach, apesar de o interesse de venda ter apresentado melhora recente, o fluxo comercial ainda segue limitado pela instabilidade financeira e pela volatilidade das bolsas internacionais.

“A incerteza financeira, refletida na volatilidade das bolsas, resultou em uma postura ainda cautelosa dos vendedores, explicando o ritmo mais cadenciado das negociações”, avaliou o analista.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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