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Reforma tributária: especialistas alertam para riscos do IBS e do Imposto Seletivo no agronegócio

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A proposta de criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e do Imposto Seletivo (IS), prevista na reforma tributária, deve impactar diretamente o setor agropecuário. Apesar de apresentada como uma simplificação tributária, especialistas apontam que as medidas podem gerar maior complexidade burocrática, litígios contratuais e riscos ambientais sem critérios técnicos claros.

Crédito presumido do IBS e aumento de custos

Segundo o tributarista Ranieri Genari, da OAB/Ribeirão Preto, o crédito presumido do IBS pode se transformar em uma “armadilha regulatória”. Além disso, o fim de benefícios fiscais atuais, como PIS/Cofins e ICMS, tende a elevar o custo de insumos e serviços essenciais, impactando exportadores e pressionando preços internos.

“Grandes empresas conseguirão operar dentro dessa lógica, mas pequenos e médios produtores tendem a se perder no emaranhado burocrático, ficando expostos a autuações, glosas e perda de competitividade”, alerta Genari.

Necessidade de revisão de contratos e estruturas societárias

Do ponto de vista jurídico, o advogado Vanderlei Garcia Jr. destaca que a nova tributação exigirá ajustes em contratos e parcerias. Cláusulas de reajuste e mecanismos de repasse serão necessários para evitar desequilíbrios financeiros.

“O cenário deve levar a reestruturações societárias, como criação de cooperativas, holdings ou fusões, para reduzir riscos e otimizar créditos tributários. Produtores e empresas rurais precisarão revisar contratos para redistribuir responsabilidades e preservar a viabilidade do negócio”, explica Garcia Jr.

Impactos ambientais do Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo terá caráter extrafiscal, podendo incidir sobre produtos como defensivos agrícolas, fertilizantes e cadeias com alta pegada de carbono. Adhemar Michelin Filho ressalta que produtores que adotam práticas sustentáveis podem se beneficiar, mas a ausência de critérios técnicos claros traz riscos de oneração injusta e insegurança jurídica.

“Sem rigor científico e proporcionalidade, o IS pode gerar ônus desproporcional, provocando insegurança jurídica e até colapso de cadeias produtivas regionais”, alerta Michelin Filho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita do café 2026/27 avança lentamente no Brasil e comercialização segue travada

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A colheita da safra brasileira de café 2026/27 segue em ritmo lento, especialmente no segmento de café conilon (robusta). Além do avanço moderado nos trabalhos de campo, a comercialização da nova safra também permanece travada, refletindo a cautela dos produtores diante da volatilidade do mercado e das diferenças de preços entre o café disponível e os contratos futuros.

Levantamento semanal da Safras & Mercado aponta que, até 13 de maio, apenas 6% da safra 2026/27 havia sido colhida no Brasil. O percentual fica ligeiramente abaixo dos 7% registrados no mesmo período do ano passado e distante da média dos últimos cinco anos, de 9%.

Colheita do café conilon registra atraso

O maior atraso é observado no café canéfora, grupo que engloba o conilon e o robusta. Segundo o levantamento, apenas 8% da produção havia sido colhida até meados de maio, contra 11% no mesmo período do ciclo anterior e média histórica de 15%.

O desempenho abaixo do esperado indica um início mais lento da safra, o que mantém o mercado atento à evolução dos trabalhos nas principais regiões produtoras.

No café arábica, a colheita alcançou 4% da produção, em linha com o registrado no ano passado. Ainda assim, o percentual segue abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 6% para esta época do calendário agrícola.

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Comercialização da safra 2026/27 segue lenta

Além da colheita mais lenta, o ritmo de comercialização da safra 2026/27 também permanece abaixo da média histórica.

De acordo com levantamento mensal da Safras & Mercado, até 13 de maio, apenas 16% do potencial produtivo da safra de conilon/robusta havia sido negociado antecipadamente. O avanço mensal foi de apenas dois pontos percentuais.

Apesar de o percentual estar próximo ao observado no mesmo período do ano passado, ele segue bem abaixo da média dos últimos cinco anos, próxima de 25%.

Segundo o consultor Gil Barabach, os produtores continuam priorizando as vendas do café disponível, reduzindo o interesse por negociações antecipadas da nova safra.

“As vendas da safra 2026/27 de café no Brasil continuam em ritmo lento, com os produtores priorizando a negociação do café disponível”, destacou o consultor.

Vendas de arábica e conilon ficam abaixo da média histórica

No caso do conilon, as vendas antecipadas atingem apenas 10% da produção esperada. Embora o número supere os 8% registrados no mesmo período do ano passado, ele permanece distante da média histórica de 18%.

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Já no café arábica, a estimativa preliminar indica comercialização de cerca de 20% da safra potencial, abaixo dos 22% observados em igual período de 2025 e bem inferior à média de 29% registrada nos últimos cinco anos.

Segundo Barabach, a diferença entre os preços praticados no mercado físico e as indicações para fixação da safra nova tem limitado os negócios antecipados do arábica.

Safra 2025/26 também apresenta vendas mais lentas

O ritmo mais cauteloso também aparece na comercialização da safra 2025/26, colhida no ano passado.

Até 13 de maio, cerca de 86% da produção havia sido comercializada pelos produtores brasileiros. No mesmo período do ano anterior, as vendas já alcançavam 96%, enquanto a média dos últimos cinco anos era de aproximadamente 94%.

De acordo com Gil Barabach, apesar de o interesse de venda ter apresentado melhora recente, o fluxo comercial ainda segue limitado pela instabilidade financeira e pela volatilidade das bolsas internacionais.

“A incerteza financeira, refletida na volatilidade das bolsas, resultou em uma postura ainda cautelosa dos vendedores, explicando o ritmo mais cadenciado das negociações”, avaliou o analista.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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