AGRONEGÓCIO
Soja pode superar 130 sc/ha com novo método de manejo do solo; dólar abre a R$ 4,96 e impacta custos no agro
Publicado em
6 de maio de 2026por
Da Redação
A busca por maior produtividade na soja brasileira ganha um novo capítulo com o avanço de técnicas de manejo do solo mais precisas e estratégicas. Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico segue no radar do produtor rural, com o dólar abrindo esta segunda-feira (4) em alta, cotado a R$ 4,96, influenciado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo — fatores que impactam diretamente os custos de produção no agronegócio.
Na última semana, a moeda americana chegou a cair para R$ 4,95, acumulando baixa de 9,78% no ano. Já o Ibovespa encerrou o último pregão em alta de 1,39%, aos 187.318 pontos, mantendo ganho anual de 16,28%.
Novo método rompe barreira histórica da produtividade
Enquanto a média nacional da soja ainda gira em torno de 60 sacas por hectare, uma nova abordagem agronômica começa a mudar esse cenário. O método desenvolvido pelo engenheiro agrônomo Leandro Barcelos propõe uma mudança de paradigma no manejo do solo, com foco na saturação de magnésio como fator-chave para destravar o potencial produtivo.
A técnica foi colocada à prova na safra 2024/25 e resultou em um marco histórico: a Agro Mallon, em Canoinhas (SC), alcançou 135,49 sacas por hectare no 17º Desafio do CESB 2025.
Segundo Barcelos, o erro recorrente no campo está no foco excessivo na correção do pH e no cálcio, enquanto o magnésio — essencial para a formação da clorofila e absorção de fósforo — é negligenciado.
“Sem o equilíbrio entre cálcio e magnésio, a planta não consegue processar os nutrientes, mesmo com alta adubação. O resultado é perda de eficiência e produtividade”, explica.
Construção do perfil do solo é chave para alta performance
Diferente do manejo convencional, o método propõe o ajuste da saturação de magnésio na Capacidade de Troca de Cátions (CTC), analisando não apenas a camada superficial (0–20 cm), mas também o perfil mais profundo (20–40 cm).
Esse conceito permite o desenvolvimento de raízes mais profundas, ampliando o acesso à água e nutrientes — fator decisivo em períodos de veranico.
A técnica também destaca a importância do equilíbrio entre potássio e magnésio. Quando desbalanceados, ocorre competição entre nutrientes, reduzindo a eficiência da adubação.
Resiliência hídrica e estabilidade produtiva
Na prática, o manejo correto do perfil do solo proporciona maior resiliência hídrica às lavouras. No caso da Agro Mallon, mesmo com 18 dias de estiagem, a produtividade recorde foi mantida.
Com raízes mais profundas, as plantas conseguem acessar reservas de água em camadas que podem chegar a até 1,5 metro, garantindo estabilidade produtiva mesmo sob estresse climático.
Resultados se replicam em diferentes regiões
A metodologia já apresenta resultados consistentes em diversas regiões produtoras:
- Minas Gerais: aumento de produtividade de 70 para 90,5 sc/ha, com áreas atingindo 107 sc/ha mesmo sob clima adverso;
- Rio Grande do Sul: salto de 60 para 90 sc/ha, com lavouras mais resistentes ao veranico;
- Goiás: áreas ultrapassando 100 sc/ha após ajuste do perfil nutricional do solo.
- Os resultados reforçam que o manejo técnico e o equilíbrio químico do solo são determinantes para elevar o teto produtivo da soja no Brasil.
Câmbio segue no radar do produtor
Paralelamente aos avanços no campo, o cenário econômico segue influenciando as decisões no agronegócio. A alta do dólar nesta segunda-feira reflete o ambiente externo mais pressionado, com destaque para o avanço do petróleo, que pode elevar custos logísticos e de insumos.
Mesmo com a valorização recente do real, o câmbio continua sendo um fator estratégico para o setor, impactando tanto a competitividade das exportações quanto o custo de fertilizantes, defensivos e tecnologias.
Independência técnica e gestão ganham protagonismo
Para especialistas, o futuro da produtividade passa pela autonomia do produtor na tomada de decisão. A leitura correta da análise de solo e o planejamento estratégico do manejo são fundamentais para transformar investimento em resultado.
A adoção de métodos mais avançados, aliada à gestão eficiente e ao acompanhamento do cenário econômico, deve ser o diferencial competitivo para a safra 2026/27.
Em um ambiente cada vez mais desafiador, a combinação entre inovação agronômica e inteligência de mercado se consolida como o caminho para alcançar altos níveis de produtividade e rentabilidade no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Alta tecnologia no agro exige novo perfil: produtor precisa atuar como gestor de passivos para acessar crédito e crescer
Published
4 minutos agoon
6 de maio de 2026By
Da Redação
A modernização do agronegócio brasileiro avança em ritmo acelerado, impulsionada por tecnologias cada vez mais sofisticadas e de alto custo. No entanto, o acesso a essas inovações exige uma mudança estrutural no perfil do produtor rural, que precisa ir além do modelo tradicional de financiamento e assumir o papel de gestor de passivos.
Segundo especialistas do setor jurídico e financeiro, instrumentos do mercado de capitais, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), deixaram de ser alternativas complementares e passaram a ocupar posição central no financiamento do agro.
Crédito tradicional já não acompanha a demanda
Embora o Plano Safra continue sendo relevante, ele já não atende plenamente às necessidades de capital intensivo exigidas pela agricultura de alta tecnologia. O crédito subsidiado, além de limitado, não oferece a agilidade e flexibilidade necessárias para acompanhar o ritmo de inovação no campo.
Nesse contexto, produtores que conseguem acessar o mercado de capitais tendem a ganhar competitividade, produtividade e escala, enquanto aqueles que permanecem restritos ao crédito tradicional enfrentam limitações para expandir seus negócios.
Mercado exige profissionalização da gestão
Diferente do modelo bancário convencional, o acesso a recursos via fundos e investidores institucionais exige um nível elevado de organização e transparência. O produtor passa a ser analisado como uma empresa, e não apenas pela capacidade produtiva ou valor da terra.
Para viabilizar esse acesso, é necessário cumprir uma série de requisitos estruturais:
- Organização societária: criação de holdings rurais e separação entre patrimônio pessoal e atividade produtiva
- Governança e controle: demonstrações financeiras confiáveis, histórico operacional e controles internos bem definidos
- Regularidade ambiental e fundiária: conformidade com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e licenças atualizadas
- Segurança contratual: contratos bem estruturados em operações como arrendamento, barter e financiamento
- Compliance e rastreabilidade: exigências fundamentais, especialmente para investidores estrangeiros
Riscos ocultos exigem atenção redobrada
Apesar das oportunidades, o ingresso no mercado de capitais traz riscos relevantes, principalmente relacionados à estrutura das garantias e cláusulas contratuais.
Entre os principais pontos de atenção estão o excesso de garantias cruzadas — que pode comprometer diferentes ativos simultaneamente — e cláusulas de vencimento antecipado (covenants), que permitem a cobrança imediata da dívida em caso de descumprimentos, mesmo que pontuais.
Outro fator crítico é a menor flexibilidade para renegociação. Diferente dos bancos tradicionais, investidores do mercado financeiro tendem a adotar uma postura mais rígida, o que pode acelerar processos de execução de bens como máquinas, safras e até áreas produtivas.
Estratégia vai além da taxa de juros
Diante desse cenário, especialistas alertam que o produtor não deve focar apenas nas taxas de financiamento, mas sim na estrutura completa da operação.
A recomendação é avaliar cuidadosamente a distribuição de riscos, limitar o comprometimento de garantias, prever mecanismos de renegociação e proteger ativos estratégicos da propriedade.
Novo agro exige gestão empresarial
A transformação do agronegócio brasileiro passa, cada vez mais, por uma gestão profissional e estratégica. O produtor que se adapta a esse novo ambiente — com organização, governança e visão financeira — amplia suas chances de acessar capital, investir em tecnologia e se manter competitivo no mercado global.
Por outro lado, quem não acompanhar essa evolução pode enfrentar restrições de crédito e perda de competitividade em um setor cada vez mais exigente e integrado ao sistema financeiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Alta tecnologia no agro exige novo perfil: produtor precisa atuar como gestor de passivos para acessar crédito e crescer
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