Tangará da Serra foi um dos municípios convidados a apresentar experiências em governança climática durante a arena técnica “Municípios Resilientes: como se preparar para fenômenos climáticos extremos”, realizada na tarde desta quarta-feira (20), durante a 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.
O painel discutiu o papel das prefeituras na prevenção, adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, com foco na continuidade dos serviços públicos e na proteção da população diante de eventos extremos, como estiagens, enchentes, deslizamentos e incêndios.
A abertura foi conduzida pelo diretor técnico do Sebrae Mato Grosso e do Centro Sebrae de Sustentabilidade, André Schelini, que mediou o debate e apresentou dados sobre os impactos climáticos nos municípios brasileiros. Segundo ele, as cidades precisam se preparar com planejamento, gestão de risco, infraestrutura resiliente e articulação entre diferentes setores.
“Cada vez mais, as cidades devem ser espaços não apenas para empresas prosperarem, mas também para pessoas conscientes da sua capacidade de transformar o território e construir um ambiente mais sustentável”, afirmou Schelini.
Convidado para apresentar a experiência de Tangará da Serra, o prefeito Vander Masson destacou que o município passou por situações críticas nos últimos anos, especialmente relacionadas à falta de água e às queimadas. Ele lembrou que Tangará enfrentou uma grave crise hídrica em 2016 e voltou a registrar dificuldades em 2020 e 2021.
“Passamos da resposta à emergência para a reestruturação de uma agenda de resiliência, focada em segurança hídrica, infraestrutura e capacidade de resposta”, afirmou o prefeito.
Durante a apresentação, Vander Masson citou ações executadas pelo município para reduzir riscos climáticos. Entre elas estão obras de drenagem urbana em pontos estratégicos, elaboração de plano de contingência para queimadas, atuação integrada da Defesa Civil, implantação de gabinete de gestão integrada, aquisição de kits de combate a incêndio e preparação de brigadas em áreas rurais.
Na área ambiental, o prefeito destacou o projeto de pagamento por serviços ambientais, voltado à recuperação e preservação de matas ciliares. Segundo ele, a iniciativa já está em andamento no Rio Queima-Pé, que abastece o município, e deve ser ampliada para outras bacias importantes, como o Rio Ararão e o Rio Sepotuba.
Masson também apresentou investimentos em segurança hídrica, incluindo obras de captação, adutora, ampliação da estação de tratamento de água, construção de reservatórios e alteamento da barragem de armazenamento. De acordo com o prefeito, as ações buscam garantir o abastecimento e reduzir a vulnerabilidade do município em períodos de estiagem.
Outro ponto citado foi o avanço na agenda de saneamento básico, com retomada de obras paralisadas, ampliação da rede de esgoto e estruturação de uma Parceria Público-Privada para atender às metas do Marco Legal do Saneamento até 2033.
O prefeito também mencionou projetos de arborização urbana, educação ambiental e parcerias com o Sebrae para fomentar negócios sustentáveis e fortalecer a gestão ambiental no município.
“Diante de qualquer crise, é fundamental ter diagnóstico rápido, conhecer os pontos críticos e agir antes que o problema chegue. Tangará já enfrentou crises graves, como a hídrica e as queimadas, e tem trabalhado para se preparar melhor”, disse Vander Masson.
A arena técnica integrou a programação da Marcha dos Municípios e reuniu gestores, técnicos e representantes de instituições para debater soluções voltadas à adaptação climática nos municípios.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (22), a secretária municipal de Saúde, Angela Belizário, e o diretor técnico da Atenção Básica, o médico Weliton Teixeira dos Reis, esclareceram que a contratação do profissional não foi feita diretamente pelo município, mas por meio do programa federal Mais Médicos.
Segundo a secretária de saúde, os profissionais do programa passam por seleção realizada pelo próprio Ministério da Saúde e, posteriormente, são encaminhados aos municípios participantes .“O município não faz a seleção direta desses profissionais. Eles passam por avaliação e selecionam alguns municípios onde desejam atuar. Nós fomos pegos de surpresa com essa situação”, afirmou.
Ainda conforme explicado durante a coletiva, o médico atuava na atenção básica desde julho de 2025 e não havia registros ou denúncias formais relacionadas à atuação dele no município até o momento da prisão.
A administração municipal destacou que, nos casos de contratação direta pela prefeitura, como concursos públicos e processos seletivos, os candidatos passam por análise documental e apresentação de certidões. Já a seleção dos profissionais vinculados ao programa Mais Médicos é realizada pelo Governo Federal, sem participação direta do município no processo de contratação.
Segundo a Prefeitura, quando o profissional chega ao município, é feita toda a documentação necessária, incluindo emissão e conferência das certidões judiciais. No caso citado, as certidões de primeiro e segundo grau consultadas pelo CPF não apresentavam nenhum apontamento. A gestão explicou ainda que, como o processo corria em segredo de justiça e não havia trânsito em julgado, as informações não apareciam nas certidões emitidas no momento da contratação.
Conforme esclarecido pela administração municipal, o único custo da prefeitura em relação aos médicos do programa é com a locação de moradia para os profissionais. O médico atendia em unidades básicas de saúde do município, integrando a equipe da atenção primária. Atualmente, o município conta com 28 médicos, sendo 21 atuando na atenção básica por meio do programa Mais Médicos.
Durante a coletiva, a gestão informou ainda que já solicitou oficialmente o desligamento do profissional do programa no município, após tomar conhecimento do caso. Desta forma, a Prefeitura Municipal, por meio da secretaria de saúde acompanha a situação junto às autoridades competentes e reforçam o compromisso com a transparência e a segurança da população.
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