Saúde

Transformação digital no SUS apoia enfrentamento das doenças tropicais

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O uso da saúde digital para ampliar o acesso ao cuidado, integrar informações e apoiar a vigilância e o enfrentamento das doenças tropicais foi tema de debate durante o MEDTROP 2026, em Brasília. A mesa “Transformação Digital no SUS e o Enfrentamento das Doenças Tropicais” reuniu especialistas da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde para discutir telessaúde, interoperabilidade, georreferenciamento e proteção de dados.

As discussões abordaram como as tecnologias digitais podem contribuir para o diagnóstico e a assistência em regiões remotas e de difícil acesso, além de apoiar o monitoramento de surtos e a identificação de áreas de risco. Entre os territórios considerados estão a Amazônia e comunidades em situação de vulnerabilidade.

O diretor do Departamento de Inovação em Saúde Digital da SEIDIGI, João Pedro Braga Félix, abordou a telessaúde e o telediagnóstico como recursos de apoio à rede de atenção à saúde, especialmente em territórios com escassez de profissionais e dificuldades de acesso aos serviços.

“A telessaúde precisa deixar de ser vista apenas como uma ferramenta ou um ponto de atenção e passar a atuar como um sistema de apoio à rede de atenção à saúde. Ela pode apoiar os profissionais na tomada de decisão e qualificar os encaminhamentos, para que o especialista receba o paciente com informações que subsidiem a continuidade do cuidado”, explicou.

Durante a apresentação, foram abordadas modalidades como teleconsulta, teleconsultoria, teleinterconsulta, telediagnóstico e teleorientação. João Pedro também destacou que a implantação desses serviços deve considerar as necessidades e a estrutura disponível em cada território.

“É preciso fazer um diagnóstico situacional e entender por que a telessaúde está sendo implantada naquele território: se há escassez de profissionais, limitações de infraestrutura ou dificuldades de acesso da população. Também é necessário avaliar se a rede tem condições de dar continuidade ao cuidado a partir das demandas identificadas pela telessaúde”, afirmou.

Dados integrados

A integração das informações produzidas nos diferentes pontos da rede também esteve entre os temas da mesa. O consultor técnico da SEIDIGI Joselio Emar de Araújo Queiroz apresentou o papel da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) na interoperabilidade e na disponibilização de informações para cidadãos, profissionais e gestores.

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“A partir da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), esses dados podem ser disseminados para cidadãos, profissionais e gestores, contribuindo para uma visão mais integrada das informações e para a continuidade do cuidado”, explicou.

Segundo Joselio, para que informações produzidas por diferentes sistemas possam ser utilizadas de maneira integrada, os dados precisam passar por processos de harmonização e padronização. Na vigilância em saúde, essa integração pode contribuir para reduzir o intervalo entre a identificação de sinais e a adoção de medidas de resposta.

“Se conseguimos enxergar o surto antes da epidemia, a RNDS e a interoperabilidade podem reduzir o tempo entre o primeiro sinal e a resposta da vigilância. Com dados padronizados, conseguimos transformar informação em inteligência, identificar padrões e sinais e apoiar ações de proteção”, afirmou.

Para o consultor, a transformação digital não depende apenas da adoção de novas tecnologias. “O maior desafio não é a tecnologia. O desafio é transformar pessoas, processos e instituições para que a gente consiga, por meio da tecnologia, gerar valor e transformar o cuidado”.

Outro recurso apresentado durante a mesa foi a Infraestrutura de Dados Espaciais do Ministério da Saúde (IDE-MS). O coordenador-geral de Gestão da Informação Estratégica em Saúde da SEIDIGI, Leandro Manassi Panitz, explicou que a infraestrutura permite reunir e disponibilizar informações georreferenciadas de diferentes fontes.

“A plataforma possibilita associar dados ambientais, demográficos e epidemiológicos para monitorar surtos, identificar áreas de risco e olhar com atenção especial para populações em situação de vulnerabilidade”, explicou.

Durante a apresentação, Leandro demonstrou aplicações da ferramenta na Amazônia Legal, com a visualização de casos prováveis de arboviroses em conjunto com informações ambientais, como temperatura e umidade. Em outro exemplo, na região de Altamira (PA), foram visualizadas informações sobre comunidades indígenas e quilombolas, focos de incêndio e estabelecimentos de saúde.

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A combinação dessas informações permite observar diferentes características de um mesmo território e pode subsidiar análises e a tomada de decisão em saúde. A infraestrutura também reúne informações relacionadas a eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, inundações, baixa qualidade do ar e tempestades.

Proteção de dados

A ampliação do uso de informações no ambiente digital também exige atenção à qualidade e à proteção dos dados pessoais de saúde. A analista jurídica da SEIDIGI Isabel Bispo destacou que esses dados são sensíveis e que os cuidados devem estar presentes desde o registro das informações até o acesso e o compartilhamento.

“Não adianta termos muitos dados de todos os municípios do país se eles não forem fidedignos à realidade. Para que o dado tenha capacidade de gerar transformação, ele precisa ter qualidade”, afirmou.

Durante a apresentação, Isabel abordou práticas para reduzir a exposição desnecessária de informações pessoais. Entre os exemplos apresentados está a retirada de elementos que permitam identificar uma pessoa quando essa identificação não for necessária para a finalidade do compartilhamento.

“Sempre que um profissional compartilhar ou acessar uma informação de saúde, é importante minimizar os riscos para aquela pessoa. Se for necessário compartilhar uma imagem, por exemplo, é possível retirar elementos que permitam identificar o paciente. Na prática, isso é minimização”, explicou.

A analista também ressaltou a relação entre a segurança das informações e a confiança dos usuários nos serviços de saúde.

“Quando uma pessoa procura uma consulta ou pede ajuda, ela confia que terá um espaço seguro para isso. Por isso, além da responsabilidade legal e profissional, proteger essas informações é também preservar a confiança do paciente no sistema de saúde”, concluiu.

Patrícia Rodrigues
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde lança nova seleção do PET Saúde para ampliar pesquisa e inovação em saúde digital no SUS

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O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, lançou uma nova seleção do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde – PET Saúde Informação e Saúde Digital (PET Saúde I&SD). O Edital Conjunto SEIDIGI/SGTES-MS nº 1/2026 convida Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia de todo o país a desenvolverem, em parceria com Secretarias de Saúde estaduais, distrital e/ou municipais, projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS). As inscrições dos projetos estarão abertas entre 20 de agosto e 8 de setembro de 2026.

A nova seleção busca aproximar ainda mais a formação profissional e tecnológica das necessidades dos serviços públicos de saúde. Os projetos deverão desenvolver ações de educação pelo trabalho, pesquisa e inovação aplicadas à informação e à saúde digital, fortalecendo a integração entre instituições de ensino, serviços de saúde e comunidades.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), do Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação e está alinhada às diretrizes do Programa SUS Digital.

Entre os objetivos previstos estão estimular o uso ético e crítico das tecnologias digitais no SUS, ampliar a cultura e o letramento em saúde digital, fomentar novas soluções para melhorar os serviços e a gestão do cuidado, promover a interoperabilidade de dados e fortalecer a participação dos cidadãos no processo de transformação digital da saúde.

“A transformação digital do SUS depende não apenas de tecnologia, mas também da formação de pessoas e da capacidade de desenvolver soluções que respondam às necessidades reais dos serviços e da população. Ao aproximar os Institutos Federais e as Secretarias de Saúde, esta nova etapa do PET Saúde amplia nossa capacidade de formar profissionais, produzir conhecimento e estimular a inovação em áreas estratégicas para o SUS, como saúde digital, interoperabilidade e uso qualificado dos dados”, destacou a secretária de Informação e Saúde Digital, Maria Aparecida Cina da Silva.

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Projetos conectados às necessidades do SUS

As propostas poderão contemplar um ou mais dos três eixos do Programa SUS Digital.

O primeiro envolve cultura de saúde digital, formação e educação permanente em informação e saúde digital. O segundo é dedicado ao desenvolvimento e à utilização de soluções tecnológicas e serviços de saúde digital no âmbito do SUS. Já o terceiro concentra ações relacionadas à interoperabilidade, análise e disseminação de dados e informações de saúde.

Os projetos também deverão estimular pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionados à transformação digital do SUS, buscando soluções que contribuam para melhorar a qualidade e a eficiência do cuidado, o intercâmbio de informações em saúde e a comunicação entre os diferentes profissionais e serviços.

Cada proposta poderá contar com três a dez grupos de aprendizagem tutorial, reunindo docentes dos Institutos Federais, estudantes e profissionais que atuam nos serviços ou na gestão do SUS. Os grupos deverão promover experiências de ensino-aprendizagem, pesquisa e inovação conectadas aos desafios encontrados nos próprios serviços públicos de saúde. Cada projeto selecionado terá duração de 24 meses.

O edital também prevê que cada projeto crie um Núcleo de Pesquisa e Inovação ou seja incorporado a um núcleo já existente no Instituto Federal proponente. Esses espaços serão responsáveis pelo desenvolvimento de pesquisa e inovação aplicadas ao campo da informação e saúde digital, em alinhamento com o Programa SUS Digital.

“Essa nova etapa do PET Saúde Informação e Saúde Digital, agora com a participação dos Institutos Federais, reforça a importância da integração entre as Secretarias de Saúde e as instituições de ensino, mobilizando estudantes, professores e preceptores para discutir e avançar na agenda da saúde digital e da inovação nos serviços de saúde. É uma grande oportunidade para professores e estudantes dos Institutos Federais se envolverem cada vez mais nessa agenda e participarem de um programa que já chega à sua 13ª edição e que tem contribuído de forma significativa para fortalecer a integração entre o SUS e as instituições de ensino”, destacou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço.

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 Integração entre educação e transformação digital

A nova seleção amplia a participação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica nas ações do PET Saúde Informação e Saúde Digital. Podem participar Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, em parceria com Secretarias de Saúde estaduais, distrital e/ou municipais. Sempre que possível, os projetos poderão ainda ser desenvolvidos em articulação com iniciativas contempladas na edição de 2025 do PET Saúde Informação e Saúde Digital.

Além de incentivar a inovação tecnológica, o edital prevê ações para estimular a formação interdisciplinar e o trabalho interprofissional, o uso responsável dos dados, a proteção de dados pessoais e o desenvolvimento de soluções que respondam às necessidades concretas dos serviços e da população.

Entre as diretrizes também estão a promoção da soberania digital nacional, o fortalecimento do ecossistema de saúde digital do SUS e a redução das desigualdades no acesso a soluções e serviços digitais nas diferentes regiões do país.

Inscrições

As propostas deverão ser cadastradas por meio de formulário eletrônico disponibilizado na página do PET Saúde Informação e Saúde Digital no portal do Ministério da Saúde.

O preenchimento deverá ser realizado pelo coordenador do projeto, docente do Instituto Federal proponente. Também deverá ser encaminhado o Termo de Compromisso assinado pelos representantes legais das instituições participantes.

O período de inscrição vai de 20 de agosto a 8 de setembro de 2026.

O resultado preliminar está previsto para 7 de outubro, e o resultado final para 21 de outubro de 2026. O início das atividades dos projetos selecionados está previsto para 1º de fevereiro de 2027.

Max de Oliveira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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