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Tecnologias de Classificação de Grãos Garantem Qualidade e Confiabilidade na Comercialização

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A safra de grãos 2024/25 no Brasil, segundo o 1º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), pode atingir um recorde histórico de 322,47 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 8,3% em relação à safra anterior, ou seja, 24,62 milhões de toneladas adicionais. Diante dessa perspectiva, um aspecto crucial ganha destaque: a classificação dos grãos, procedimento que assegura a qualidade do produto e reduz disputas entre produtores e compradores, como cooperativas, cerealistas, traders e indústrias.

Importância da Classificação de Grãos

A classificação dos grãos avalia fatores como grupo, classe, tipo de avarias, limites de umidade e presença de impurezas. Essa análise é essencial para evitar dúvidas sobre a qualidade do produto entregue e minimizar prejuízos financeiros. Graciele Lima, head de produtos de agronegócio na Senior Sistemas, alerta que um erro de 1% na operação de classificação pode gerar perdas significativas. “Em um caso estudado, identificamos que um erro desse tipo resultaria em prejuízo de R$ 5 milhões para uma única empresa”, destaca.

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Além disso, falhas ou fraudes nesse processo comprometem a exportação de grãos, pois lotes com qualidade inferior podem ser rejeitados, prejudicando a reputação e as finanças das empresas exportadoras.

Tecnologia como Aliada

O uso de tecnologias avançadas tem se mostrado uma solução eficaz para garantir a precisão e a confiabilidade na classificação. Informações detalhadas sobre a saúde dos grãos são indispensáveis, especialmente para produtores que armazenam a produção por períodos prolongados ou indústrias que utilizam a soja para extrair óleo ou proteína.

Segundo Graciele, a tecnologia também protege o produtor contra desvalorizações no mercado. “Se o produto apresentar qualidade inferior, sofrerá um deságio, gerando prejuízo ao produtor. Por outro lado, grãos com bons índices recebem o valor de mercado justo, o que é ainda mais relevante no cenário de alta das commodities internacionais.”

Desafios de Regulamentação

Embora a classificação de grãos seja amplamente praticada, o Brasil enfrenta desafios relacionados à regulamentação e padronização do processo. A ausência de exigência legal para a presença de classificadores oficiais habilitados pelo Ministério da Agricultura resulta em práticas informais, conduzidas muitas vezes por profissionais sem qualificação adequada.

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“Muitas vezes, essa falta de padronização gera discrepâncias na qualidade e na confiabilidade dos resultados, impactando negativamente tanto produtores quanto compradores. É fundamental criar uma regulamentação específica para padronizar essa atividade em toda a cadeia produtiva de grãos”, defende Graciele.

Soluções Integradas

Uma das alternativas para enfrentar esses desafios é a integração entre as operações práticas e os sistemas de gestão (backoffice). Essa integração permite maior agilidade e segurança na análise dos dados, especialmente em períodos de alta safra. “Empresas com 10 unidades de recebimento, por exemplo, podem processar cerca de 3.000 tickets de classificação por dia. Com sistemas integrados, a avaliação torna-se muito mais eficiente e confiável”, explica a especialista.

Com a previsão de uma safra recorde e o avanço tecnológico, o Brasil se posiciona para fortalecer ainda mais sua cadeia produtiva de grãos, assegurando padrões de qualidade que impulsionam o mercado interno e externo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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